A mentira destrói relacionamentos, vicia o que mente e desconstrói o respeito e admiração

A mentira que é mentira, é tudo aquilo que falsifica a realidade; seja intencionalmente ou não.

Nós, humanos, só consideramos mentira aquilo que em palavras seja uma falsificação, ou quando se descobre que a pessoa vive em dois mundos; e acerca de um, mente para o outro e vice-versa.

Mas quando se trata da mentira inconsciente, então, honestamente, teríamos que dizer que grande parte de nossa existência é mentira.

Neste sentido, não há ninguém que não seja mentira. A questão é que as mentiras inconscientes, a gente não as classifica de modo “moral”, mas apenas “psicológico”, e chamamos este tipo de mentira de “auto-engano”. 

Ora, boa parte das histórias que as pessoas contam a si mesmas são “auto-engano”.

No fundo, o coração sabe… mas nega-se a encarar o Baile de Máscaras no qual a vida se tornou, e que nada tem a ver com o que é verdadeiro.

 

Mentira vicia. Gente que se habituou a resolver as coisas com uma “estorinha” sofre de um mal muito sério. 

 

No início — e por vezes, durante toda a vida — a pessoa vai “se dando bem.” Então, começa a achar que aquele é um direito natural, que faz parte da sobrevivência como se fosse uma arma de defesa, uma espécie de mimetismo necessário à sobrevivência, como o fazem os polvos e camaleões, entre outros.

A questão é que raramente um ser viciado na falsificação da realidade consegue se dar conta disso… com o passar do tempo.

Assim, as “estorinhas” acabam se confundindo com a “realidade”… E o indivíduo segue incorporando ao currículo de sua existência as subjetividades que só aconteceram como “maquinação mental”, mas que nunca foram reais, concretas; só que agora, nem mais o inventor delas sabe diferenciá-las do que é e do que não é.

A meu ver, uma pessoa que mente de vez em quando, e só pra escapar de um grande e real perigo, mente muito menos do que aquele que se habituou a mentir em primeiro lugar, apenas porque em sua mente a única realidade que ele aceita é aquela que ele mesmo criou como cenário para a sua própria “máscara existencial”.

 

Você terá que reaprender o caminho da realidade. Não digo “o caminho da Verdade”, pois tal coisa é ainda muito mais profunda do que a “realidade” — que é apenas uma soma de um conjunto de acontecimentos.

Todavia, não há cura para a mentira que compete com a verdade se não houver primeiro, tratamento para a mentira que acontece como falsificação corriqueira da realidade.

Seu exercício será o de se ater aos fatos, com cuidado e precisão.

Uma mente que se habitua a “inventar” acaba inventando mesmo; mesmo o que não precisa, nem mesmo em razão da desculpa da “sobrevivência”.

Você verá como o coração fica infinitamente mais calmo e sereno quando o material que ele come e oferece aos outros como refeição, é feito do conjunto da realidade honestamente percebida como tal.

O convite que nos é feito é para que a verdade se torne realidade, e a realidade, verdade. Ou seja: somos chamados para nos desfragmentarmos e nos deixarmos moldar do modo mais simples possível. O resultado dessa “unificação” entre o objetivo e o subjetivo é que nos dá saúde mental, psicológica e espiritual.

 

Além disso, não há verdadeira liberdade que não seja filha da verdade. 

Você tem dois caminhos. Um é estreito, e é o caminho da realidade-verdade. Aí está a saúde.

 

O outro caminho é o desenvolvimento de uma outra máscara; aquela que é fruto do seguinte: a pessoa foi apanhada na mentira, se sente muito mal, e jura que isto nunca mais acontecerá, não porque ele intente não mais agir assim, mas apenas porque ele decidiu que não mais será “pego”. 

 

Desse modo, ele não se cura, mas apenas desenvolve melhor o seu disfarce.


Aproveite esta chance que a Graça de Deus lhe propiciou e escolha o caminho da reorganização de sua existência conforme a realidade.


Além disso, saiba que todo mentiroso que não mente por perversidade — e este não é nem de longe o seu caso — o faz por insegurança e necessidade de aceitação.


Portanto, o que habita a sua “mentira” não é um problema de caráter, mas tão-somente de natureza psicológica, e tem a ver com sua insegurança. Você só usa máscara porque se acha melhor com ela. 

 

Assim, muitas mentiras são apenas um atestado de insegurança e falta de auto-apreciação. Não construa um holograma para representar você. Faça-se representar por você mesmo!

 

E não tema, pois você só terá segurança para viver, quando você não temer mais mostrar quem você é. Tudo o que se manifesta é luz.


Portanto, você, pela força e pela vergonha, bote o pé no bom caminho… e continue nele.

E saiba: no estrito senso do que seja fiel e verdadeiro, só houve e só há um que seja completamente digno destas definições. Ele é também o mesmo que é chamado de O Verbo de Deus.

Agora é com você…

O caminho da reconquista da confiança é árduo e requer verdade e humildade.

Caio Fábio

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