BPM ou MMA (Mixed Management Arts)?

por Jeann Vieira, CBPP, BlackBelt, Coach, Coordenador de Projetos e Processos da Anatel

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Ao se falar em processos, gestão de processos, ou mais corretamente, Gerenciamento de Processos de Negócio (BPM), há que se ter em mente que BPM é uma evolução das diversas escolas de administração ao longo da história.

Remontando ao século XVIII, onde uma oficina de artesãos, os quais todos realizavam todas as atividades para fabricação e vendas de sapatos – executavam cada qual o processo ponta a ponta: do pedido à entrega – à medida que passaram a identificar perfis mais adequados para cada atividade e deu-se início à famosa especialização e divisão do trabalho.

Com essa mudança, partiu-se para a organização funcional, departamentalizada, visto que a especialização gera produtkividade. Modelo então adotado por diversas organizações no mundo todo.

Ocorre que alguns pontos de atenção surgiram com essa organização funcional, tais como: dificuldades de comunicação, perda do foco do cliente, hand-offs com perda de produtividade, retrabalhos etc.

O chamado Taylorismo conseguiu implementar com o máximo de êxito a divisão do trabalho. Como qualquer modelo, o pêndulo tende a vir muito para um lado, e foi o que ocorreu. O lado humano não recebeu atenção, o que tornou Taylor conhecido como o “inimigo do trabalho humano”, pela rigidez à estrutura formal. De qualquer forma, o estudo de tempos e movimentos está presente até hoje em BPM como a melhor forma de se fazer as atividades.

O movimento seguinte, Fordismo, ficou muito conhecido pela revolução da linha de produção em massa. Mas todo o sucesso foi baseado em três pilares. O primeiro deles foi a maior atenção aos indivíduos e nas relações entre eles na organização. O que poucos sabem, compõe o segundo pilar, benchmarking, pois foi com a observação de abatedouros de animais, com as carcaças suspensas se movimentando pela linha de corte – ideia base para a linha de produção implementada na indústria automotiva. Já o último pilar foi a chamada intercambialidade das peças produzidas, pois até então as peças não eram padronizadas.

Na sequencia histórica, no período após a segunda guerra mundial, a onda do Toyotismo, veio novamente a inovar a Escola de Administração com sua flexibilidade, foco em melhoria contínua (kaizen), pensamento Lean (enxuto), qualidade total etc. Mais especificamente no Japão, com toda a defasagem de seu estado no pós-guerra, impossibilidade de importação, escassez de recursos naturais, que viu na melhoria contínua de seus processos a saída para a recuperação do estado e indústria.

Passando rapidamente pelo Volvismo, referência em excelência com alto grau de experimentalização, alcançamos a era da reengenharia, na década de 80, muito mal interpretada e bastante associada a downsizing. Como argumento para demissões e redução de quadros. Mas, na verdade, o conceito de reengenharia busca reconstruir o processo do zero a partir do foco do cliente.

Época essa em que o controle estatístico de processos, junto com outras premissas, formaram a poderosa escola Six Sigma, com a busca pela redução de defeitos, a partir da estabilidade e controle dos processos.

Por sua vez, a chegada dos sistemas integrados de gestão (ERPs) reforçou mais ainda a importância do processo ponta a ponta, com o foco no cliente final. E este conceito teve sua aplicação muito bem facilitada pela implementação do BSC. Tratam-se processos ponta a ponta a partir do desdobramento da estratégia, de maneira balanceada, contribuindo para os objetivos estratégicos.

Chegando aos dias atuais, ao se falar de BPM percebemos diversas características acima listadas de maneira não exaustiva: fazer a atividade da melhor maneira (Taylor), buscar referências e definir padrões (Ford), processos enxutos e sem defeitos (Lean Six Sigma), melhoria contínua e ferramentas da Qualidade Total, processos interfuncionais desdobrados da estratégia.

Então é isso, BPM é uma disciplina gerencial que integra as diversas escolas da Administração, e aplica seus preceitos de acordo com a necessidade e momento organizacional, sempre com o foco em entregar o valor esperado pelo cliente final.

Jeann Vieira – CBPP, BlackBelt, Coach, Coordenador de Projetos e Processos da Anatel

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