A Engenharia de Software com BPMS Par. 1

 Parte 1 Introdução

A Engenharia de Software visa sistematizar a produção, manutenção e evolução de Softwares para que os mesmos ocorram dentro dos prazos, custos e processos definidos. Por meio de princípios, métodos, tecnologias e processos continuamente aprimorados tenta apoiar as tarefas dos processos de softwares e mitigar os problemas enfrentados com a “Crise do Software”. Ao longo dos anos vários modelos para estes processos de software foram propostos.  A definição de Modelos de Processos de Softwares resolveu grande parte dos problemas que levaram a “Crise do Software”. Mesmo tendo uma forma de mensurar, controlar, especificar, etc. o produto final, software, não atendia as necessidades da organização. O problema geralmente se dava por que os próprios clientes não sabem bem o que pedir e o que queriam ao final. A analogia seria a entrega de uma peça de um quebra cabeça, onde quem o está entregando não sabe qual é a imagem que deve formar no final. O cliente sabe descrever como é a peça por alto, mas não tem uma visão geral e sistêmica da organização, o quebra cabeça. Mesmo entregando tudo conforme especificado, com custos e tempos acordados com os clientes, muitas vezes os mesmos não atendiam, ao final, as reais necessidades da organização.

Dilbert by Scott Adams, 2006 (Sganderla, 2014)



Figura 1 Dilbert by Scott Adams, 2006 (Sganderla, 2014)

As organizações, tendo em vista sua complexidade, processos, pessoas e informações geradas, em seus contextos por si só já são sistemas em consequência sistemas de informação utilizando-se ou não de ferramentas tecnológicas. Os produtos de softwares destinados a apoiar estes sistemas de informação devem estar construídos de forma a subsidiar os objetivos da organização. Ter uma visão clara destes objetivos, de seus processos e eliminar o que não é necessário ajuda a determinar de forma mais assertiva, os reais requisitos de software que o sistema de informação precisa ter para que as pessoas façam o que precisa ser feito e como deve ser feito.

Em paralelo a crise e após ela, as organizações, com o passar dos anos se tornam mais complexas e extensas. Para se aprimorar elas aplicavam técnicas para melhorar sua eficiência, eficácia e efetividade, posteriormente evoluindo para outros conceitos mais amplos para atender a seu aumento de complexidade e tamanho. Começou-se a pensar a organização de forma mais holística e com foco em seus processos de negócio ponta a ponta. Um pensar sobre a organização de forma ampla, e o contexto de sua inserção em um ecossistema. Começou-se a pensar em BPM (Business Process Management). O CBOK V3 defini BPM como “Disciplina gerencial que integra estratégias e objetivos de uma organização com expectativas e necessidades de clientes, por meio do foco em processos ponta a ponta. BPM engloba estratégias, objetivos, cultura, estruturas organizacionais, papéis, políticas, métodos e tecnologias para analisar, desenhar, implementar, gerenciar desempenho, transformar e estabelecer a governança de processos.” (ABPMP – Association of Business Process Professionals, 2013).

Com a adoção da cultura BPM, podemos ter a imagem geral do “quebra-cabeças”. Esta imagem é fundamental para o desenvolvimento, manutenção e evolução de sistemas de informação que atendem as reais necessidades da organização, diminuindo custos com manutenções, evoluções e desenvolvimentos desnecessários ou não significativos para a organização. Para apoiar o BPM, surgiram no mercado várias ferramentas e termos produzindo quase uma sopa de letrinhas. Dentre as existentes, destacamos aqui Business Process Analysis – BPA, cujas as características não vamos tratar aqui, mas tem algumas das suas funções descritas no artigo “Ferramentas para Escritório de Processos – Business Process Analysis – BPA” (Neponuceno, 2014) e o principal para este artigo, o  Business Process Management Suite ou System – BPMS que é um conjunto de sistemas que apoiam a automatização de partes da gestão de processos de negócio (modelagem, execução, controle e monitoração).

Neste ponto temos então a problemática que várias organizações enfrentam, de como fazer uso de ferramentas BPMS nas suas organizações, fazendo adaptação de seus Modelos de Processos de Software. Para isto vamos começar descrevendo os senários e Modelos de Processos de Softwares, das características de sistemas de informação concebidos com ferramentas BPMS e como conseguir adotá-las de forma adequada, levando em consideração as mudanças na cultura, tecnologia e nos paradigmas para que se consiga atender as reais necessidades da organização.


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