Organização base zero

Organização base zero
Organização base zero é operar com máxima eficácia e eficiência concentrando-se nas partes do negócio em que o valor é gerado e ser implacável contra o desperdício e a capacidade ociosa. Com o avanço dos negócios digitais e na sequência de crises do sistema econômico, as organizações estão descobrindo novas formas de operar que desafiam pressupostos e quebram velhas regras. Passaram a conduzir o negócio sob novos paradigmas de forma mais enxuta e inteligente aproveitando tecnologias disruptivas e colaboração. São organizações grandes apenas o suficiente e altamente focadas na entrega de valor, algumas surgidas como startups há pouco tempo e outras já operando de longa data, mas sempre compartilhando a mesma mentalidade e crença de que crescimento não é sinônimo do número de colaboradores nem da quantidade de ativos que possuem. Essas são as organizações base zero.
Um exemplo de empresa grande base zero é a Amazon que percebeu desde cedo que o valor de um negócio de varejo não estava em lojas, mas na capacidade de gerenciar inventário e logística. Como resultado, a receita da Amazon por colaborador atingiu USD 855 mil em 2014 em comparação com empresas que operam com lojas físicas, como é o caso da Gap, que alcançou USD 108 mil. Tornar-se uma empresa base zero não é sinônimo de cortar pessoal, mas alocar pessoal próprio e externo de forma adequada, utilizar tecnologia para automatizar e gerenciar, reduzir ativo fixo e encorajar criatividade e inovação. David Cushman em The 10 Principles of Open Business: Building Success in Today’s Open Economy desafia a estabelecer um colaborador em tempo integral para cada nove outros externos que contribuam de forma parcial. Há uma outra razão para que recursos externos devam ser abraçados. Estatisticamente, quanto maior a organização mais mediana se torna. Para contrabalançar esse efeito colateral do crescimento, um novo pensamento de agregar contribuição externa por meio de crowdsourcing, outsourcing, free-lancers e comunidades de interesse se torna indispensável.

Base zero não é sobre downsizing, mas ser mais enxuto, mais inteligente, mais rápido, mais focado em valor, mais eficiente, mais eficaz, mais barato. Não menor.

Um item importante que não faz parte do receituário da organização base zero é manter escritórios dispendiosos. Na maioria dos casos, escritórios são um fardo e não um ativo. No mundo analógico, tamanho importava e o sucesso dos negócios era medido pelo número de funcionários e instalações físicas. Se o número de funcionários crescia e mais instalações eram incorporadas, então significava que o negócio ia bem. Era a lógica da sala de reuniões. Hoje, sucesso não é mais medido por número de funcionários e escritórios, mas pela rentabilidade que é capaz de gerar. Espaços compartilhados de trabalho, mobile office, reuniões caminhando, locação de curta duração e outras formas de desprendimento de locais e horários de trabalho são a nova norma. Na era digital da computação em nuvem e comunicação ubíqua, a localização física é em grande parte irrelevante. As regras estabelecidas há décadas estão aí para serem quebradas. Burocracia e camadas gerenciais distanciam a empresa de seus clientes, locais e horários fixos tolhem a liberdade e o trabalho rotineiro desestimula inovação e afasta talentos. A cultura do “nós sempre fizemos assim” está sofrendo erosão pela tecnologia e por novos comportamentos sociais.
É preciso ter bem claro quem são os que geram valor na empresa, quem suporta os que geram valor e quem é apenas peso morto. Não é somente gerar rentabilidade, mas gerar valor para o cliente. Todos devem gerar valor e os que forem apenas passageiros devem desembarcar na próxima estação. Em vez de colaboradores próprios trabalhando em tempo integral, a contribuição externa por meio de crowdsourcing, outsourcing, free-lancers e comunidades de interesse permite ajustes para mais ou para menos para refletir a dinâmica do negócio. Mais importante do que internalizar recursos é avaliar o que pode ser externalizado. Também é necessário enxugar tudo que é possível, começando por não basear o orçamento em anos anteriores, mas recomeçando a partir do zero para economizar recursos (orçamento base zero). Elaborar orçamento com base no ano anterior e somar ou subtrair um percentual é uma maneira preguiçosa de reproduzir um orçamento que pode estar jogando muito dinheiro fora. Também faz parte desse pensamento reduzir estoques físicos e resíduos para zero, posicionar a sustentabilidade no centro das operações, trabalhar de forma mais inteligente (em vez de trabalhar mais duro) e banir tudo que não é importante começando por reuniões. Estudo da Bain & Co mostra que, em média, a força de trabalho de uma organização gasta cerca de 15% de seu tempo coletivo sentada em reuniões. Um bom aproveitamento do tempo do pessoal é chave para um negócio base zero.

© José Davi Furlan, 31/08/2015

Jose Davi Furlan

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *