O Desafio Corporativo da Baleia Azul: você está prestes a cometer suicídio profissional?

Nas últimas semanas, notícias sobre um jogo que leva jovens a cometerem suicídio começaram a circular pela mídia. O jogo, de origem russa, tem arrebanhado adolescentes no Brasil e no mundo.

O jogo chamou a atenção de pais e autoridades policiais por estar ligado a centenas de suicídios no mundo e pelo menos dois no Brasil. Conhecido como “Blue Whale” (Baleia azul), a brincadeira mortal começa com pequenos desafios que testam a fidelidade do participante, mas que gradativamente vão o levando a uma dependência psicológica que acaba por induzi-lo ao suicídio.

O jogo é composto por 50 desafios que os líderes postam todos os dias as 4h20. O último desafio é tirar a própria vida.

A NetFlix, sempre tão antenada com mudanças da sociedade, lançou o seriado “13 Reasons Why” que discute questões como suicídio, depressão e bullying na adolescência.

Mas nosso foco aqui é discutir trabalho e carreira. E minha pergunta é: Você está participando de um Desafio Corporativo da Baleia Azul sem perceber?

Quando entramos em uma empresa, somos expostos a uma nova cultura, normalmente bem diferente daquela na qual fomos criados ou da qual participávamos. Alguns dos símbolos dessa cultura são fáceis de se identificar: A forma como as pessoas se vestem, como se relacionam, a linguagem toda própria que cada empresa tem.

Outros não são tão claros, mas tão poderosos quanto: a forma como as pessoas se relacionam com os chefes, a subordinação a normas e leis internas que muitas vezes não fazem sentido, como as pessoas se comportam em uma reunião na presença do chefe.

Como consultor, tive a oportunidade de conhecer dezenas de empresas de grande e médio porte, e tive contato que lideranças tóxicas, que levam muitos de seus subordinados ao suicídio profissional.

Assim como no desafio da Baleia Azul, o jogo começa com tarefas simples: exigir que o funcionário faça algo que não é sua função, como resolver algo pessoal para o chefe, ficar sem almoçar para entregar um relatório, usar o subordinado em seus jogos de poder contra outros líderes.

Assim que consegue impor seu poder sobre o membro da equipe, esses chefes (não vou mais chamá-los de líderes. Não merecem o título) começam a fazer um jogo psicológico de pressão e medo, com o objetivo de quebrar qualquer sonho de crescimento que o profissional possa ter. Destroem sua autoconfiança, criam alguém que tem medo de falar, de expor suas ideias.

Uma cena magistral do filme Sucesso A Qualquer Preço mostra como esse processo ocorre.

Em uma das empresas que trabalhei em minha vida profissional, eu ocupava o cargo de Gerente de Planejamento Estratégico. A empresa adquiriu um concorrente e os proprietários da empresa comprada passaram a ser sócios minoritários da nova empresa.

Em nossa primeira reunião, eu estava apresentando algumas análises, quando um dos novos sócios me perguntou algo. Eu comecei a frase dizendo: “Eu acredito que…” . Ele imediatamente me cortou dizendo:

eu não te pago para achar nada, te pago para saber!

Muito calmamente eu respondi a ele: “em primeiro lugar, você não me paga para fazer nada: quem me paga é a empresa. Em segundo lugar, como gerente de planejamento, minha função é pensar, imaginar a empresa no futuro. E em terceiro lugar, se é assim que você trata seus funcionários, eu acabei de entender por que sua empresa estava tão quebrada a ponto de ser comprada pela nossa”.

Lógico que eu estava apoiado pelo CEO da empresa, mas se não tivesse tomado aquela postura, provavelmente seria transformado em mais um funcionário amedrontado por um chefe despreparado.

Se não tomamos uma atitude, vamos gradativamente entrando no jogo da Baleia Azul: vamos nos fechando, abandonando os nossos sonhos, perdendo a vontade de nos relacionar, nos automutilando pessoal e profissionalmente.

Não espere ser levado ao suicídio profissional: se você está fazendo parte do Jogo Corporativo da Baleia Azul, PARE AGORA!

Ainda há tempo de você renascer profissionalmente.

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